Estúrdio Quarteto

O grupo não existe mais. Mas, Elida Marques, uma das participantes, continua recentemente organizou um evento que aliava leitura das obras de Guimarães com música.

 

Publicado em: on Junho 24, 2008 at 12:27 am Deixe um comentário
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A Terceira Margem do Rio

Publicado no livro Primeiras Estórias, A Terceira Margem do Rio é um dos contos mais enigmáticos de Guimarães Rosa. Fascinados com o mistério da narrativa, Milton e Caetano compuseram uma música com elementos da narrativa de Rosa. Confira o resultado abaixo:

A Terceira Margem do Rio

(Caetano Veloso/Milton Nascimento)

Oco de pau que diz:
Eu sou madeira, beira
Boa, dá vau, triztriz
Risca certeira
Meio a meio o rio ri
Silencioso, sério
Nosso pai não diz, diz:
Risca terceira

Água da palavra
Água calada, pura
Água da palavra
Água de rosa dura
Proa da palavra
Duro silêncio, nosso pai

Margem da palavra
Entre as escuras duas
Margens da palavra
Clareira, luz madura
Rosa da palavra
Puro silêncio, nosso pai

Meio a meio o rio ri
Por entre as árvores da vida
O rio riu, ri
Por sob a risca da canoa
O rio riu, ri
O que ninguém jamais olvida
Ouvi, ouvi, ouvi
A voz das águas

Asa da palavra
Asa parada agora
Casa da palavra
Onde o silêncio mora
Brasa da palavra
A hora clara, nosso pai

Hora da palavra
Quando não se diz nada
Fora da palavra
Quando mais dentro aflora
Tora da palavra
Rio, pau enorme, nosso pai

O sertão está em toda parte

Ná música, no olhar, no falar, no ser. O sertão não tem limite. O sertão está, sim, em toda parte. E é na sonoridade do ser, cantar e falar sertanejo que iremos nos apoiar com a objetivo de resgatar na contemporaneidade a essência da obra de João Guimarães Rosa.

Este blog foi criado como apoio à pesquisa de documentário produzido para a disciplina Projetos em TV, oferecida aos alunos do 7º semestre do curso de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP.

 

(imagem retirada de matéria sobre Guimarães e o cinquentenário da publicação de Grande Sertão Veredas. Interessante!)