A Oficina de Leitura de Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros da USP preparou uma programação especial em comemoração ao centenário do escritor. Todas às quartas, a partir das 19h, o grupo receberá um convidado que usou a obra de Rosa como referência para seu trabalho acadêmico. Confira a programação completa …
Evento da Oficina Guimarães Rosa: Novas vozes, novas trilhas: leituras do texto roseano
Programação do 1º. Semestre de 2008
4as. Feiras das 19 às 21 Horas no IEB/USP
Informações com Rosa: (11) 3721-6617 e 9351-8760

Como parte das comemorações pelo centenário de nascimento de um dos principais escritores da literatura brasileira, a Oficina Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros organiza a série de encontros “Novas vozes, novas trilhas: leituras do texto roseano”. A proposta é divulgar, em encontros semanais durante o ano de 2008, novas pesquisas (no campo acadêmico e da criação artística) que tenham a literatura de Guimarães Rosa como referência. Os interessados devem enviar um resumo com a proposta da comunicação, breve apresentação do autor e indicação de um texto do autor mineiro para ser lido coletivamente. Serão reservadas uma hora para apresentação e debate e uma hora para a Roda de leitura.
A Oficina Guimarães Rosa reúne amantes pela obra do escritor mineiro. Desde 2004, o grupo encontra-se semanalmente no Instituto de Estudos Brasileiros para a Roda de Leitura - leitura em voz alta e coletiva dos textos roseanos.
Dia 07 de maio
Magna Martins
Após vasta experiência como contadora de estórias, Magna efetua atualmente pesquisa acadêmica sobre as relações existentes entre textos de Ave, Palavra e o diário redigido pelo escritor mineiro em Hamburgo. O enfoque privilegiado pela pesquisa consiste na análise detalhada do processo de ficcionalização da experiência do autor, que aproveitou, na realização de textos fatos e informações retiradas do seu cotidiano na Alemanha. Trata-se de uma investigação dos procedimentos artísticos de Rosa documentados no diário, do seu processo particular de escrita e reescrita textual, bem como do rastreamento nas páginas do diário e na obra ficcional dos impactos ou marcas estéticas e ideológicas que a experiência com a Segunda Guerra Mundial deixaram na obra do autor.
Proposta de leitura: “O mau humor de Wotan”, de Ave, palavra.
Dia 14 de maio – O caminhar das sombras imemoriais
Andréa Helena Parolari Fernandes
Andréa é mestre em artes cênicas e desenvolveu pesquisa sobre a literatura rosiana e o teatro. Propõe discutir a representação do universo rosiano a partir da exegese do conto “Nenhum, Nenhuma”.
Proposta de Leitura: Nenhum, Nenhuma, de Primeiras Estórias
Dia 21 de maio – Ler é uma viagem: Projeto Travessia – Leituras do Grande Sertão: Veredas
Elida Marques
Élida é a idealizadora do Ler é uma viagem, um projeto que atua sempre apostando no encontro, na aproximação entre pessoas motivada pela leitura de obras literárias. Por onde passou, reuniu gente pela escuta, sensibilizou com os sons, palavras ditas, despertadas do repouso nas páginas e lançadas ao ar, à mercê da criação dos ouvintes. O novo projeto do Ler, o TRAVESSIA, alia-se à obra de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, para promover a multiplicação dos espaços para a literatura pela cidade, pelas escolas, criando uma rede de entusiasmo para despertar o prazer da leitura entre jovens e adultos.
Para nossa roda de leitura, Élida falará sobre essa experiência de leitura e improvisação musical do texto de Guimarães Rosa.
Leitura recomendada: Trechos de Grande Sertão: Veredas.
Dia 28 de maio
Luis Antônio Jorge
Luis Antônio é professor da Fau e apresentará a pesquisa que, partindo da leitura da novela “Conversa de Bois”, de Sagarana, orientou um estudo sobre um dos artefatos emblemáticos da paisagem cultural do sertão: o carro-de-bois, definido como um engenho que fala dos temperamentos dos bois e das madeiras.
Proposta de leitura: “Conversa de Bois”, do livro Sagarana
Dia 4 de junho – Rosário: da palavra ao canto
Edson Penha e Xavier Bartaburu (Grupo Nhambuzim)
Edson Penha e Xavier Bartaburu, compositores do grupo Nhambuzim, revelam os mecanismos de criação que nortearam a música presente no CD Rosário: canções inspiradas no sertão de Guimarães Rosa. A proposta é demonstrar como a leitura de determinados contos ou trechos de obras determinaram a criação de melodias, letras, ritmos e arranjos vocais. Ou seja, por meio da música, recontar uma estória antes contada em palavras. A oficina será composta da leitura de trechos de obras rosianas, seguida de comentário dos compositores e audição de canções inspiradas naqueles trechos.
Proposta de leitura: trechos das seguintes obras “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” e “Duelo”, de Sagarana; “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim; “Azo de Almirante”, de
Tutaméia; “Seqüência”, de Primeiras Estórias; trechos de Grande Sertão: Veredas.
Dia 11 de junho - Saúde, padecimento e morte em Guimarães Rosa
Ana Lúcia Magela
Ana é Doutora em Educação e procura desvelar o fenômeno saúde/padecimento/morte em três contos de Guimarães Rosa – “Campo Geral”, “Sorôco, sua mãe, sua filha” e “A terceira margem do rio”. A proposta metodológica é a abordagem fenomenológica e o suporte teórico a sócio-antropologia da vida cotidiana.
Proposta de Leitura: contos de Primeiras Estórias
Dia 18 de junho
Maria Aparecida de Resende
É especialista em educação infantil e professora da rede municipal de Santo André, além de leitora apaixonada de Guimarães Rosa; ao fazer um curso sob a coordenação de Heloisa Prieto “Mestres da palavra”, escreveu um texto-diálogo com Riobaldo Tatarana. O texto é uma conversa entre ela e o narrador de Grande Sertão: Veredas.
Proposta de Leitura: trechos do Grande Sertão: Veredas.
Dia 25 de junho – As formas do tempo em Grande Sertão: Veredas.
Márcio Barbieri
Márcio é mestrando na Usp e desenvolve pesquisa sobre como surgem em Grande Sertão: Veredas as diversas modalidades de tempo. Essas modalidades são, basicamente, representadas pelo tempo presente e passado, sendo que o primeiro é atualização e revisão do segundo. Assim, quando narra, Riobaldo constitui uma forma de tempo fundamentada pela memória, retratando sua vida de jagunço. Isso causa um corte no “ser” Riobaldo, fazendo com que haja dois: um é Riobaldo-narrador, situado no presente, cuja marca lingüística é a enunciação; o outro é o Riobaldo-jagunço, personagem do primeiro, e está situado no enunciado. Ainda discutindo o presente da enunciação, há uma cena dramática, formada por um narrador (Riobaldo) e seu interlocutor (doutor e leitor). Essa cena é presente da enunciação, mas só o é a partir do presente de leitura do leitor, que é o responsável por atualizá-la. Por ser dramática faz com que Riobaldo, quando interrompe o épos da narrativa, passe a ser ator. Dessa maneira, há, pela minha hipótese, formas de tempo que podem ser estudadas a partir da invenção de linguagem do autor, Guimarães Rosa, já que nela transparece a oralidade, que justifica o efeito mimético do tempo anacrônico do romance.
Proposta de Leitura: trechos do Grande Sertão: Veredas.
Veja o que você já perdeu:
05 de março – “O fragmento como célula estética: processo de criação de Guimarães Rosa”
Mônica Gama
Desenvolve pesquisa no acervo de manuscritos de Guimarães Rosa no IEB sobre a elaboração textual roseana, sobretudo Tutaméia. Sua pesquisa sugere ver na configuração espacial da atividade da escritura a problematização de escolhas construtoras de efeitos nos leitores dos textos publicados e a ficcionalização estrutural de mecanismos da criação textual rosiana. A hipótese central é a de que há na massa documental formada por seus manuscritos a acumulação enquanto método, a listagem como forma e a citação enquanto desejo apropriação do outro.
Sugestão de leitura: “Se eu seria personagem” e “Sobre a escova e a dúvida”, de Tutaméia.
12 de março – “João e seus bichos: os bestiários roseanos”
Vitor Borysow
Vitor elaborou pesquisa no acervo de manuscritos do escritor no IEB/USP sobre o álbum ZOOS, uma coleção de recortes de jornais sobre animais (organizada pelo próprio escritor entre 1948 e 1951). Considerando o álbum como um tipo singular de livro-montagem, o estudo propõe estabelecer relações entre seu assunto principal e cinco textos de Ave, palavra (1970).
Sugestão de leitura: “Zoos”, de Ave, Palavra
26 de março – “Leitura afetiva de “Campo Geral”: imagens do meu Miguilim” / Pintura
Rioco Kayano, leitora de Guimarães Rosa desde a sua adolescência, vem expressando impressões e sentimentos que a leitura roseana lhe proporciona através da arte. Buscou a pintura como forma de aprender a desenhar descobrindo o prazer da criação, do “fazer arte”. Na escolha do conto “Campo Geral” Rioco procurou uma metodologia baseada no diálogo entre a pintura e a literatura. O conteúdo girando em torno do olhar mágico de uma criança coincidiu com o seu momento de resgate da infância.
Assim através das imagens ela procura comunicar “O QUE SOU”, revelando sentimentos, reminiscências e resquícios da infância. O resultado foi uma exposição feita na cidade do Morro da Garça/MG, durante a Semana de Arte e Cultura em janeiro de 2008, e que ocorrerá em abril em São Paulo.
Sugestão de leitura: “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim
02 de abril – Colocutores em trânsito – os tontos movimentos dos romances Grande Sertão : Veredas e Berlin Alexanderplatz.
Daniel Bonomo
Com o intuito de prosseguir a discussão sobre o paralelismo entre os romances Berlin Alexanderplatz e Grande Sertão: Veredas, Daniel elaborou dissertação de mestrado com análise mais detalhada dos elementos que os aproximariam como representantes do discurso do romance moderno. Privilegia-se, para tanto, as movimentações que caracterizam as trajetórias dos protagonistas Franz Biberkopf e Riobaldo, com a observação dos deslocamentos das personagens no espaço, emocionalmente, e, também, com a atenção que deve ser dirigida ao trânsito que opera a narrativa dos dois romances.
Proposta de Leitura: trechos de Grande Sertão: Veredas.
09 de abril – Hai Kai na escrita roseana
Michinori Inagaki
Chegou ao Brasil aos 21 anos, é artista plástico e professor de artes e de Hai Kai. Apresentará sua pesquisa sobre como o gênero Hai Kai, poema japonês que tem como maior representante Matsuô Bashô (1644-1694), tem ressonâncias na obra roseana.
Sugestão de leitura: Melim Meloso, do livro Tutaméia
16 de abril – Memórias do sertão: pesquisa com moradores da região roseana a respeito de suas tradições, cultura, religiosidade.
Beth Ziani
É mestre em Literatura Brasileira e idealizou o projeto Memória Viva do Sertão, que tem o objetivo de criar núcleos de memória nos município do Circuito Guimarães Rosa. A partir de registros em áudio de narrativas de vida, retratos fotográficos e oficinas, busca-se registrar a cultura do povo do sertão mineiro, realidade retratada pelo escritor João Guimarães Rosa em suas obras.
Sugestão de Leitura: Primeiras Estórias
Dia 23 de abril – “Saudades do Rosa e Sertão” / Fotografia
Germano Neto
Depois que leu o Grande Sertão:Veredas Germano partiu para o sertão, câmara fotográfica em punho, em busca da “luz” de Guimarães Rosa, luz que se derrama sobre a paisagem, as coisas, e o povo sertanejo. Passou meses no Parque Nacional Grande Sertão, no norte de Minas, atrás dos lugares de Guimarães Rosa.
Proposta de leitura: “São Marcos”, de Sagarana.
gostaria de saber das oficinas